A cabeça de Lara


A cabeça de Lara pensava amarelo. E quando sonhava, era dourada.

A cabeça de Lara era um mundo; amarelo.

A cabeça de Lara gostava do mundo de fora também. Porque tinha o sol que era amarelo e tudo amarelava, então tudo ficava mais belo, como no mundo de Lara.

- Será que o sol é só mais uma invenção de minha mente amarela? pensava Lara. Mas assim todos também pensariam amarelo e disso Lara não gostava. Não que Lara quisesse ser diferente, mas porque apesar de amarelo ser o que Lara gostava, ela sabia que era do colorido que precisava. 

    E assim era o mundo a partir da mente amarela de Lara: Quando amava, do comum vermelho de amar, misturado ao seu amarelo, um insinuante laranja dava. E quando um azul de calmo céu ou distante mar, fosse de uma saudade boa, de um não querer melancólico ou daquela boa e feliz preguiça (azul) que às vezes tomava Lara, adivinhem? Era verde que seria a cor de sua insurgente alegria!!

Às vezes Lara caminhava em nuanças musgo, ocre... Às vezes tão quase vermelha, às vezes tão quase azul... 

As vezes de verdade Lara entristecia, mas não era por uma cor que fazia, mas das que nunca sua cabeça amarela poderia fazer. Entretanto, isso logo passava, pois Lara sabia que amarelo irradiava, iluminava, era a cor de uma mente clara, ou mesmo nada disso sendo era a cor que lhe tornava.

Mas Lara às vezes também temia ter uma mente sem cor: 

“Haveria alguém assim? De mente incolor?”

Lara não sabia.

Lara precisava de todas as cores.

Lara pensava amarelo.

Marcio Garcia

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