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Mostrando postagens de junho, 2021

A cabeça de Lara

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A cabeça de Lara pensava amarelo. E quando sonhava, era dourada. A cabeça de Lara era um mundo; amarelo. A cabeça de Lara gostava do mundo de fora também. Porque tinha o sol que era amarelo e tudo amarelava, então tudo ficava mais belo, como no mundo de Lara. - Será que o sol é só mais uma invenção de minha mente amarela? pensava Lara. Mas assim todos também pensariam amarelo e disso Lara não gostava. Não que Lara quisesse ser diferente, mas porque apesar de amarelo ser o que Lara gostava, ela sabia que era do colorido que precisava.       E assim era o mundo a partir da mente amarela de Lara: Quando amava, do comum vermelho de amar, misturado ao seu amarelo, um insinuante laranja dava. E quando um azul de calmo céu ou distante mar, fosse de uma saudade boa, de um não querer melancólico ou daquela boa e feliz preguiça (azul) que às vezes tomava Lara, adivinhem? Era verde que seria a cor de sua insurgente alegria!! Às vezes Lara caminhava em nuanças musgo, ocre... Às...

Homem Árvore

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     A árvore sai de dentro da semente, ergue-se em direção ao céu, floresce, dá frutos. Esses caem numa queda ansiada pela terra. Na terra são acolhidos para tornar-se de novo árvore.      Dizia ele sobre tantos dos seus fazeres que aos poucos fui entendendo tantas coisas, entre elas, o que era a madeira, a matéria das árvores, e como tudo o que dela provinha era extensão de seu corpo.      Para a pesca com fisga (método indígena de se pescar) era preciso da árvore esguia, que cabia no punho fechado, na precisão da ação entre íntimos: uma vara de juçara. Na ponta o metal contrabalanceava e fazia jus à mestiçagem: vergalhão afiado em fogo a lenha amarrado com corda de embira. Corda feita da pele descolada e tratada de uma outra árvore no mais profundo ritual alquímico, que depois da trança metódica, unia dois mundos distantes: o metal e a madeira.      Pronta a fisga, ia-se a pesca. Uma pesca tão íntima quanto à relação daquel...