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Gênesis

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A criação Quando deus fez a terra, nela criou muitos jardins mais ou menos como aqueles que chamam de Éden, mas para melhor entender como eram esses jardins, vamos pensar que eram Édens já que o imaginário ocidental não consegue extrapolar seus limites místicos. Deus criou vários Édens porque como um bom artista, a imaginação era muita para um só. Em cada jardim colocou mulheres e homens. Nesses jardins as mulheres vieram antes dos homens porque era o mais lógico para deus e porque das mulheres todos nasciam.  Deus deu aos homens de cada jardim algumas regras, mas não eram apenas regras como comer ou não comer uma fruta ou algo que só servisse para testar a obediência e a fidelidade dos homens, eram regras que serviam para que os homens não criassem costumes que levassem a destruição dos jardins e assim não pudessem mais gozar de prazer eterno. Deus não queria que os homens, mesmo que sem querer, sem desejar, destruíssem seu paraíso e penassem por isso, pois ele não estaria lá para...

Ode a libertação

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               Por que temos vergonha da vida? Há sempre um querer sem poder porque antes é exigido conquistar o direito de querer. Nesses tempos de conter, todo querer vale a pena. Mas por que estamos com vergonha da vida? Com ódio da possibilidade de viver do outro?                 Careta ou tresloucado, só uma coisa vale a pena. Invejei o moço no vídeo interagindo com as esculturas da cidade… Noutros tempos eu fui assim, espontâneo e feliz, mas um dia a cidade se torna nossa Aí quem tem coragem de se ajoelhar junto a candelária ou se fazer de pisoteado pelo cavalo de Duque de Caxias? Quantos olhares evitamos? Quantos julgamentos? Nunca mais corri afoito para o mar, nunca mais deixei fluir o desejo mais sublime, mais lúdico, pueril... Mais ridículo,  mais verdadeiro. Na manhã de sol, quando quase nenhum dia tem sol: areia, mar e brisa fresca... O instante de ver o horizonte azul verdeja...

A cabeça de Lara

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A cabeça de Lara pensava amarelo. E quando sonhava, era dourada. A cabeça de Lara era um mundo; amarelo. A cabeça de Lara gostava do mundo de fora também. Porque tinha o sol que era amarelo e tudo amarelava, então tudo ficava mais belo, como no mundo de Lara. - Será que o sol é só mais uma invenção de minha mente amarela? pensava Lara. Mas assim todos também pensariam amarelo e disso Lara não gostava. Não que Lara quisesse ser diferente, mas porque apesar de amarelo ser o que Lara gostava, ela sabia que era do colorido que precisava.       E assim era o mundo a partir da mente amarela de Lara: Quando amava, do comum vermelho de amar, misturado ao seu amarelo, um insinuante laranja dava. E quando um azul de calmo céu ou distante mar, fosse de uma saudade boa, de um não querer melancólico ou daquela boa e feliz preguiça (azul) que às vezes tomava Lara, adivinhem? Era verde que seria a cor de sua insurgente alegria!! Às vezes Lara caminhava em nuanças musgo, ocre... Às...

Homem Árvore

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     A árvore sai de dentro da semente, ergue-se em direção ao céu, floresce, dá frutos. Esses caem numa queda ansiada pela terra. Na terra são acolhidos para tornar-se de novo árvore.      Dizia ele sobre tantos dos seus fazeres que aos poucos fui entendendo tantas coisas, entre elas, o que era a madeira, a matéria das árvores, e como tudo o que dela provinha era extensão de seu corpo.      Para a pesca com fisga (método indígena de se pescar) era preciso da árvore esguia, que cabia no punho fechado, na precisão da ação entre íntimos: uma vara de juçara. Na ponta o metal contrabalanceava e fazia jus à mestiçagem: vergalhão afiado em fogo a lenha amarrado com corda de embira. Corda feita da pele descolada e tratada de uma outra árvore no mais profundo ritual alquímico, que depois da trança metódica, unia dois mundos distantes: o metal e a madeira.      Pronta a fisga, ia-se a pesca. Uma pesca tão íntima quanto à relação daquel...